Aclamação ao Evangelho: "Joãozinho, tá na hora do banho!"
Uma analogia para nos ajudar a compreender a importância da prontidão para a escuta doa Proclamação do Evangelho.
LITURGIAMÚSICA
2/10/20262 min read
É cena comum em qualquer casa com crianças que já tomam banho sozinhas: a mãe precisa avisar mais de uma vez que chegou a hora do banho. Nos dias de hoje, com as telas ocupando cada vez mais espaço em nossa rotina, não é raro que alguns pequenos só atendam ao chamado na terceira ou quarta tentativa. Essa falta de prontidão, convenhamos, costuma tirar a paciência de muitas mamães.
Levemos agora essa imagem para a Santa Missa. Cada parte da celebração foi cuidadosamente organizada pela Santa Igreja, sob a inspiração do Espírito Santo, para nos conduzir ao coração do mistério que está sendo celebrado. Detenhamo-nos, de modo especial, na Liturgia da Palavra.
As leituras que antecedem o Evangelho são proclamadas enquanto a assembleia, sentada, escuta com atenção. Quando, porém, chega o momento do Evangelho (lido pelo presidente da celebração) somos convidados a assumir outra postura: levantamo-nos em sinal de respeito, reverência e disponibilidade interior. O que marca essa mudança é o canto de aclamação ao Evangelho. Ao soar as primeiras notas do “Aleluia”, nossa atitude deve ser de prontidão, como quem diz: estamos prontos para viver aquilo que vamos escutar.
Fazendo uma comparação simples, o “Aleluia” funciona como aquele aviso da mãe chamando para o banho. Como tem sido a nossa resposta? De quantos “Aleluias” precisamos até nos colocarmos de pé e realmente dispostos a ouvir o Senhor?
A Instrução Geral do Missal Romano (3ª edição), no número 62, afirma claramente que o Aleluia deve ser cantado por todos, de pé. Duas orientações preciosas aparecem nessa breve frase: primeiro, deve ser cantado (não apenas ouvido). Como recorda Santo Agostinho, quem canta reza duas vezes. Por isso, cante! Aleluia! Não é preciso gritar, mas unir a voz à da assembleia. O canto, quando vivido de acordo com o espírito da liturgia, eleva o coração e expressa nosso louvor a Deus.
A segunda orientação é igualmente importante: todos devem permanecer de pé. Todos, sem exceção. Em algumas comunidades, porém, criou-se o costume de a assembleia aguardar que o presidente da celebração se levante para, só então, ficar de pé, prática que não corresponde às orientações litúrgicas.
É verdade que existem situações específicas em que o sacerdote permanece sentado por alguns instantes, como numa missa presidida pelo bispo com o uso do turíbulo, quando o incenso é preparado antes de ele se erguer. Fora esses casos, contudo, a norma é clara: toda a assembleia deve estar de pé, inclusive o sacerdote, mesmo havendo o rito do incenso.
Se o Aleluia já está sendo entoado, a postura dos fiéis precisa ser a da prontidão, expressando exteriormente a atitude interior de quem se dispõe a acolher o Evangelho que será proclamado.
Assim como aquela criança que, ao ouvir o chamado da mãe, finalmente deixa o brinquedo (ou celular) de lado e corre para o banho (porque sabe que ali há cuidado, limpeza e vida nova) também nós somos convidados, a cada Missa, a responder ao “Aleluia” com a mesma disposição. O banho renova o corpo; a Palavra de Deus renova o coração. Um nos livra da sujeira do dia, o outro nos ajuda na purificação das poeiras da alma.
Portanto, após a segunda leitura (ou após o salmo, nas missas feriais) faça seu momento de silêncio para meditar a Palavra proclamada, sempre que houver esse espaço. Mas, ao ouvir o Aleluia, recorde-se: é o chamado para ficar de pé e abrir os ouvidos para que a Palavra chegue ao coração. Prontidão para a escuta!
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